Quem não consegue bolsa integral no Prouni e precisa financiar a faculdade tem basicamente dois caminhos: o FIES, programa do governo, ou um financiamento estudantil privado, como o Pravaler ou linhas de crédito de bancos. As diferenças de juros e regras são grandes — vale entender antes de assinar qualquer contrato.
Como funciona o FIES?
Leia mais -> veja como funcionam os cursos avamec gatuitos

O FIES financia parte ou a totalidade da mensalidade em instituições privadas, e você só começa a pagar depois de formado. Em 2026, o programa tem três modalidades, com juros que variam conforme a renda familiar per capita:
- Renda de até 1 salário mínimo per capita: juros de 3,5% ao ano.
- Renda entre 1 e 3 salários mínimos per capita: juros variáveis dentro da faixa de até 6,58% ao ano.
- FIES Social: juros zero para o perfil de renda mais baixa atendido por essa modalidade.
As inscrições acontecem duas vezes por ano (fevereiro e agosto), exigem nota mínima de 450 pontos no Enem (sem zerar a redação) e passam por análise de renda familiar.
Como funciona o financiamento estudantil privado (Pravaler e bancos)
O Pravaler é o maior programa de crédito estudantil privado do Brasil e funciona de forma bem diferente:
- Não exige nota mínima do Enem — a aprovação depende de análise de crédito (e, em muitos casos, de um fiador).
- Os juros ficam entre aproximadamente 1,1% e 2,1% ao mês, o que equivale a uma faixa bem mais alta que o FIES ao longo de um ano.
- Costuma pagar 50% da mensalidade direto à faculdade durante o curso, com o estudante pagando o restante mensalmente, e o valor financiado começa a ser pago em parcelas depois da formatura.
- Pode ser contratado a qualquer momento do ano, sem depender do calendário de inscrição do governo.
- Cobre uma rede maior de instituições, incluindo faculdades que não são credenciadas no FIES.
Empréstimo pessoal comum de banco, para comparação, costuma ficar entre 4% e 8% ao mês — bem mais caro que as duas opções acima.
Tabela comparativa
| FIES | Pravaler / financiamento privado | |
|---|---|---|
| Juros | 0% a 6,58% ao ano | ~1,1% a 2,1% ao mês |
| Exige nota do Enem | Sim (mínimo 450 pontos) | Não |
| Exige análise de crédito/fiador | Não | Sim, na maioria dos casos |
| Início do pagamento | Depois de formado | Parte durante o curso, parte depois |
| Período de inscrição | Fevereiro e agosto | Ano todo |
| Rede de instituições | Só credenciadas no programa | Mais ampla |
Quando cada opção costuma fazer mais sentido
- FIES tende a ser mais vantajoso para quem se enquadra nos critérios de renda e nota do Enem, exatamente pelos juros mais baixos e por não exigir fiador.
- Financiamento privado tende a entrar como alternativa para quem não atingiu a nota mínima, perdeu o prazo de inscrição do FIES, ou estuda numa instituição que não é credenciada no programa do governo.
Antes de fechar qualquer contrato, vale simular o valor total pago ao final do financiamento em cada opção — a diferença de juros parece pequena mês a mês, mas se acumula bastante ao longo dos anos de curso.
Perguntas frequentes
Dá para trocar do financiamento privado para o FIES depois? Em geral não é uma troca direta — você precisaria encerrar o contrato privado (o que pode ter condições específicas) e passar pelo processo normal de inscrição do FIES, sujeito aos mesmos critérios de qualquer outro candidato.
O Pravaler exige exame do Enem? Não, a aprovação depende de análise de crédito do estudante (e geralmente de um fiador), não de desempenho acadêmico.
É possível usar o FIES e o Prouni ao mesmo tempo? Sim, em alguns casos é possível combinar bolsa parcial do Prouni com o FIES cobrindo o restante da mensalidade, dependendo das regras vigentes no edital de cada ciclo.
O financiamento privado tem taxa fixa ou pode mudar durante o curso? Normalmente os juros são definidos no contrato inicial e variam conforme o perfil de crédito do estudante e do fiador — vale ler o contrato com atenção antes de assinar.
Veja também nosso guia completo sobre o Prouni e a comparação entre Educa Mais Brasil, Prouni e Fies.